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Clarimar Fernandes Maia




Clarimar Fernandes Maia: uma pequena história... Uma pequena mensagem aos meus conterrâneos.

Comendador Clarimar Fernandes Maia é um dos fidelenses que muito contribuiu para elevar o desenvolvimento da cidade de São Fidélis. Apesar das dificuldades que passou na vida, jamais deixou de lutar com garra para chegar aonde chegou, bem como sempre teve como bandeiras a educação e a cultura – áreas que, no contexto de suas ações em prol da população fidelense, deixou um legado não em obra literária, mas sim o prédio da Associação Musical 22 de Outubro cujo terreno foi doado pelo comendador Clarimar e, inclusive, contou também com a participação dele na construção do prédio que até hoje mantém a mesma característica arquitetônica da estrutura física predial. Além deste, há o prédio do Colégio Estadual de São Fidélis – também uma doação para a municipalidade.

Em abril de 1960, já residindo na cidade do Rio de Janeiro, ele enviou uma mensagem via carta impressa para ser publicada numa revista que continha a programação da festa do padroeiro. A mensagem segue abaixo na íntegra, na qual se pode tomar conhecimento num breve resume do seu histórico de vida. Por Clarimar Fernandes Maia – abril de 1960 – Uma pequena história... uma pequena mensagem aos meus conterrâneos. Como mensagem é muito simples... porque é mensagem de fé, de amor e de saudade... Da própria saudade de minha infância, tão pobre de riqueza quanto rica de felicidade!...

Era uma vez um menino raquítico, travesso, molequinho de rua, vendendo doces, frutas, e nas horas de folga engraxando por alguns níqueis que lhe possibilitassem entrar no cinema, para assistir aos saudosos filmes seriados da época, intitulados ‘O homem da capa preta’, ‘Judex’, ‘Os últimos dias de Pompeia’. Isto para não falar nos circos que visitavam sua cidade, que eram enfrentados no peito, na velha coragem, furando por baixo do pano por falta de dinheiro para pagar entrada.

Quantas recordações e saudades dos meus companheiros daquele esplendoroso tempo e que também acompanharam o palhaço na rua fazendo a sua propaganda: “Hoje tem goiabada?.. tem sim senhor! “Hoje tem marmelada”?... tem sim senhor! “E o palhaço o que é?...”É ladrão de mulher.” “Hoje tem espetáculo”?... Tem sim senhor!... “O raio, o sol esconde a lua, viva o palhaço que está na rua...”, e assim, com a ajuda do palhaço na sua promoção pelas ruas da cidade, nós, que o acompanhávamos, garantíamos nossa entrada no circo.

Quantas saudades dos meus camaradas – Tte. Emygdio Maia Santos, Dr. Rui Seixas, Osvaldo e muitos outros que tomaram rumos diferentes. Depois... Adeus cidade de São Fidélis! Tive de libertá-la do tempo de juventude para lançar-me à vida... No mundo com meus 15 anos incompletos... Fui, então, para Campos dos Goytacazes (onde estudei muito à noite) e lá me tornei homem, fazendo um círculo imenso de inolvidáveis amigos durante os anos que ali vivi, onde vivo e onde como comerciante, trabalhei de 1922 a 1925, quando então me transferi para o Rio de Janeiro,, onde vivo e me realizei na vida. Viajei por duas vezes por quase toda a Europa (a última viagem acompanhado pelo meu filho Fernando, já com 20 anos de idade). Por três vezes fui aos Estados Unidos, sendo que numa delas como hóspede de honra international General Electric Company, em NY, tendo como meus acompanhantes durante a visita ao parque industrial da GE, nos Estados Unidos, os meus velhos amigos Dr. Henri Gendron, Dr.Nelson Pagani e outros amigos americanos, tudo isto propiciado pela especial recomendação do meu inseparável e dedicado amigo Charles Boschini, diretor da GE no Brasil.

Ah...! Quais as minhas maiores emoções?...São tantas... Toda a minha existência te sido uma verdadeira sucessão de emoções! Duas, no entanto, merecem destaque, pela importância pelo revestimento da solenidade. Era o dia 18/11/52, eu estava em New York, quando fui convidado para um simples almoço no famoso Wardorf-Astoria. Ali chegando tranquilamente, levaram-me para o célebre salão de recepções, o Happy Birth-day (feliz aniversário) acompanhados pela orquestra, apoteose que me deixou vivamente, emocionado, trazendo-me lágrimas nos olhos, pois eu me esquecera de que era o dia do meu aniversário natalício. Estes americanos são formidáveis! Não esquecem nada...! A outra grande emoção a tive em Roma, ao receber a Comenda da Real Ordem Militar de N.S das Mercedes, a mim conferida pelo Santo Papa Pio XII.

Ainda uma terceira emoção eu a tive quando na França, em Paris (1952), embarquei com meu filho Fernando no luxuoso transatlântico “Queen Elisabeth”, no porto de Cherburg, com destino a NY. Já nessa altura, grande era a saudade da minha pátria (com três meses apenas de ausência), primeira viagem ao exterior.

No terceiro dia, ainda em meio o caminho, quando nos sentamos para almoçar no suntuoso salão de refeições do transatlântico, fomos tomados de surpresa por um casal de ingleses, que nos fizeram participar de uma recepção comemorativa a algum acontecimento especial de sua pátria... E, entre alguns “ditos” dos convivas, houve um que foi dedicado à nossa pátria e encerrado com um caloroso Viva ao Brasil dado por todos os presentes.

Como se vê, meus amigos, isto aconteceu com ingleses, gente austera, fria “perigree” da mais alta expressão, magnatas e turistas de luxo. Naquele palácio flutuante eu não devia representar nada... mas o acontecimento empolgou-me de grande emoção patriótica, tal era o meu espontâneo reconhecimento! Hoje, tudo em torno de mim continua sendo felicidade! Uma admirável família, esposa, dois encantados filhos: Fernando e Charles, três netinhos: Maria Fernanda, Isabela e Fernandinho Maia Filho, verdadeiros presentes de Céu, e uma nora que, completando a felicidade do meu filho, tornou-se, igualmente, uma verdadeira filha para mim!

Sempre assistido por Deus, vindo Ele sempre ao meu encontro... resolvi, também ir agora ao Seu encontro, devolvendo-lhe um pouco do muito que Ele me deu! Como veem, meus conterrâneos, esta pequena mensagem... Esta pequena história... representa o mínimo do que eu lhe posso dizer de 40 longos anos, longe do nosso convívio, e, hoje aqui presente, para proporcionar-lhes esta modesta festa em louvor ao nosso glorioso e Mártir – “São Fidélis de Sigmaringa”!

O epílogo – Vocês já sabem! Deus nos proteja! Clarimar F. Maia – abril de 1960























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