
Silêncio
Pede a palavra senhora;
se eu, contudo, não disser nada agora
a estes ventos difusos,
em nenhum dia,
lhes farei saber, jamais,
que a desejei poesia,
neste momento de sol nos vitrais.
Assaz eloquência histórica,
católica e concreta,
espera-se de um poeta
para esta inferência audaz...
Tanto tempo passado de nós
e dos prosaicos sóis nos vitrais...!
Mas,
súbito, o meu poema lúdico,
laico, sem padrão e à toa,
engastado no armado concreto monumental,
é liberto por tão boa sensação
espiritual!...
Silêncio!...
Escolhido o rezar por dentro,
pouco frequento então
o imperioso templo, esculpido
em feição européia,
composto por tantos eventos
que uma epopéia
talvez não bastasse.
Crucial,
remontasse também importâncias,
preocupado,
reparado não teria, porém;
e a poesia seria mesmo
mais que a poesia,
como a ocasião social convém!
Bem,
a mim e ao vento, em paz,
penso que basta
a de mais um momento
de sol nos vitrais.
Silêncio!...
geraldo evangelista