Tempo
Amarelando a vida
Como amarela o sol ao entardecer,
Observo o tempo passar.
Uma fotografia na parede,
Nítida e abandonada
Me dá a impressão
De estar em lugar nenhum
Na presença solitária
De um rosto de mulher.
A vida lá fora
Acontece como a primavera
E faz florir entre dentes,
Sorrisos como flor,
A hora marcada,
Num ritual em que só a esperança
Anda verde de esperar.
Estou vivo e indo
Ao encontro da minha
Solidão
A vida,
Vista pela janela,
Numa eterna dança
Já não faz o sentido e o medo
é um balão de gás.
O sol já é lua
Como que encantado
Fico esperando a noite
Mudar de cor
A esperança ainda é verde
E a fotografia na parede
Permanece nítida e
Abandonada
Como permanece essa
Angústia em mim.