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Nº 32 - Patrono: Maria da Conceição Maia Coutinho - Representante: Ana Regina Soares Ribeiro


Veredito


Declaro para os devidos fins que

Inutilmente tentarão salvar a minha alma:

Faço parte de uma sub-raça jurássica e obscura

Fadada à extinção nesses tempos pós-modernos


Sinto muito
Pela minha impopularidade
Sinto muito por permanecer
Constanlemente off-line
Sinto muito por não ter podido
Deixar exemplos
Receitas eficazes
E nem ter decorado
O absoluto das certezas virtuais
Enfim, sinto muito
Por ter caído em desuso


O destino de ter 15 minutos de fama
A obrigação de ser auto-suficiente, veloz e feliz para sempre
Tanto quanto a sempiterna agilidade
Para com todos os malabarismos e salamaleques
Das ultimíssimas novidades digitais
Deixo por conta da contemporaneidade
Que gerou deuses cibernéticos e botulínicos:
Esses todos poderosos midiáticos
Vestidos de púrpura, dogmas metálicos e efeitos especiais
Esses senhores do imperialismo high-tech
Que, sentados horas e horas a fio
Em seus tronos forrados de veludo e prepotência.
Gastam suas vontades e seus glúteos
A sempre reverenciarem suas máquinas e telas sagradas


Como posso dizer amém,
Se fui condenada à vida?
(A vida, ela mesma,
Grosseiramente manuscrita
E sofrivelmente desplugada):
Errante, abissal, perecível, desengonçada e
Sem direito sequer a nenhum alivio imediato
Ou a qualquer outro tipo de retoque
Advindo das condescendências solícitas
Presentes nas maravilhas da cosmetologia hodierna
E sem depender dos disfarces do photo-shop.
Vou teimosamente continuando
A despeito das mágicas futuristas
E dos ditames da qualidade total

Anjo rebelde que sou,
Além de rugas, velhos livros e desobediências,
Trago comigo a maldição ultrajante e desafiadora
Da obsolescência dos apóstatas do 3? Milênio
Que não têm medo
De mergulhar no inferno do isolamento
De suas próprias inteirezas
E solitudes


Merecidamente tomei-me
Essa descrença paquiderme
Que habita o limbo da indignação e da recusa
E tampouco aceita asas, nadadeiras,
Dietas, trenós, treinos, código-de-barras
E muito menos se submete à esmola fácil
Das artificialidades que nos obrigam
A inventar uma sobrevivência medicamentosa e vulgar
à custa de muitas doses diárias
De injeções milagreiras de mesmice
E conformismo


Há muito me sei pecadora
Limitada e inconveniente.
Tenho esse defeito de nascença:
Sou um dinossauro amoral, ensimesmado e antiquado
Que pesado de sua essência anacrônica e lerda,
Afundou-se consentidamente
No irremediável e infinito abismo
De sua condição visceral
























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