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Finalmente, a ciclovia prometida está em construção pela prefeitura em São Fidélis

Um pouco da história de como tudo começou para chegar até aqui, (2026), em se tratando da obra da ciclovia que começou a ser construída esse ano. Foram anos de lutas, coberturas de reuniões sobre as conferências das cidades, vários registros de acidentes com atropelamentos, sendo alguns fatais, os quais culminaram em duas grandes manifestações de protestos e cobranças da ciclovia, ambas as manifestações sob organização da Associação Cultural Fidelense e da revista eletrônica são Fidélis RJ, enfim, registros que farão parte da síntese do documentário.
De fato, não se pode deixar de agradecer à empresa concessionária VLI por conta da comoção extrema das imagens que chegaram em mãos de um dos protagonistas da luta, ao participar de uma reunião com os dirigentes da concessionária VLI, em Minas Gerais,

Fato essencial que resultou na doação de todo o trecho da malha ferroviária (de Ernesto machado a Pureza), para o município de São Fidélis – em 2022, para que pudesse ser realizada a construção da ciclovia, cujo projeto iniciado na gestão do falecido prefeito Luiz Feneme, além, é claro, anteriormente, já aconteciam as reuniões das Conferências Nacionais das Cidades, iniciadas em 2003, com a realização da primeira edição em Brasília, no mesmo ano em que o Ministério das Cidades foi criado. Daí, as edições seguintes ocorreram em 2005, 2007, 2010 e 2013. Após um hiato de mais de uma década, a 6ª edição foi realizada em fevereiro de 2026 para debater a Política Nacional de Desenvolvimento Urbano (PNDU).

E assim uma série de ações foi sendo construída, a partir de uma agenda envolvendo a participação dos atores sociais e políticos por diversas cidades do país para que as entidades civis organizadas e o poder público começasse a ouvir a todos os participantes – para que os eixos temáticos sobre esse desenvolvimento urbano com infraestrutura desejado por todos os munícipes, fossem discutidos e aprovados nessas conferências afins.

Ainda na gestão do então falecido prefeito Luiz Feneme, (em 2013), destaca-se um avanço enorme que fortaleceu o sonho da realização da ciclovia cujo projeto inicial foi construído, inclusive, com a vida do ex-governador Sérgio Cabral à cidade em campanha, anunciou liberação de verba para a construção – através do programa “Somando Força” parceria entre municípios. Na ocasião, a prefeitura de São Fidélis estava com diversos canteiros de obras em andamento, porém, menos o da ciclovia, cuja obra nem iniciada foi por conta de uma operação da PF – batizada “operação ave de fogo”, que investigava uma série de lavagens e superfaturamentos com obras pactuadas entre o governo do estado e demais municípios. Daí a obra só ficou mesmo na promessa e no projeto desenhado. Assim como vários canteiros de obras parados na cidade.

Sendo assim, todo esse processo inicial desde a criação do Ministério das Cidades, foi salutar para que cada município pudesse alinhavar todas as suas necessidades de melhorias e investimentos urbanos, tais como projetos socioambientais, remodelação das vias com projetos urbanísticos sustentáveis, visando, assim, um desenvolvimento urbano com qualidade de vida para as populações.

Vale destacar que na década de 90, o então falecido prefeito dr. José Marcondes Teixeira de Abreu, chegou a pensar na ciclovia, mas sem sucesso. Em 1998, quando se deu a privatização da maioria das malhas ferroviárias – na gestão de FHC, posteriormente, o então prefeito (in memoriam) Benedito Passarinho, em seu segundo mandato, em 1999, tentou de tudo para ver se conseguia comprar o trecho da malha ferroviária (que já estaria privatizada) trecho este que corta pelo perímetro urbano da cidade para fazer a obra, mas segundo informações à época, o valor que a empresa concessionária pediu era maior que o orçamento do município, ficando, assim, inviável. Tempo passou, o então e outros acontecimentos ocorreram. Sendo assim, foram várias tentativas, atos de protestos com manifestações com vários protagonistas nessas lutas. Não adiantava governadores em visitas à cidade prometerem, os prefeitos anteriores não contavam com terreno.

Em face destes eventos ocorridos, destaca-se também que, em 2015, um atropelamento fatal em um dos trechos da R 158, que corta pela cidade, passando pelo bairro Vila dos Coroados, foi a gota d’água para que os moradores se unissem em um grande ato de protesto que culminou com o fechamento da RJ 158 por 20 minutos, sob organização da Associação Cultural Fidelense. E não parou por aí, no ano seguinte, outro ato aconteceu por consequência de novos acidentes e atropelamentos.

Contudo, a partir de 2021, um dos secretários da pasta do então prefeito Amarildo Henrique (cassado em 2024), aconteceu a retomada de uma série de ações e tentativas em busca da obra da ciclovia, bem como da reforma da Estação Ferroviária (que já havia sido transferida para o município, através do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte (Dnit) e Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional desde 2009.

Tendo em vista o interesse do governo do estado, novamente em pactuar as obras em parceria com a prefeitura, foi aí que no ano de 2022, com a vinda do ex-governador Claudio Castro em São Fidélis, mais um governo que prometeu em doar verbas para a construção da ciclovia e reforma da Estação Ferroviária, assim sendo foram entregues ambos os projetos, haja vista que a pasta do Planejamento já estava com uma boa noticia – após os esforços entre uma reunião e outra via Ministério da Economia, enfim, tentativas de se conseguir uma forma de que o trecho da malha ferroviária que corta pelo perímetro urbano pudesse ser liberado. Mas em qual terreno? Não tinha ainda terreno e nem se contava com a deliberação do trecho da linha férrea porque se tratava de uma malha ferroviária particular.

E essa ação só pôde ser concretizada com muito discurso a respeito dos fatos relevantes sobre os graves acidentes e atropelamentos ocorridos na cidade por conta da falta de uma ciclovia, juntamente com a concessionária VLI e município por bem dizer como forma de suplicar pelo apoio em uma decisão por parte de não só entender a realidade dos fatos, mas, sobretudo, de comoção da situação. E como a concessionária não tinha conseguido parceiros interessados na Região Norte Fluminense para que houvesse a implantação do trem turístico (como existe em diversas cidades), mas não houve interessados em fomentar o projeto, e assim sendo o trecho ficou desativado.

Dessa forma, ressalta-se todos os esforços da secretaria de planejamento que conseguiu mostrar de forma contundente em uma das reuniões com dirigentes da empresa concessionária VLI sobre os graves acidentes com atropelamentos fatais no trecho e a solução seria a construção da ciclovia, bem como o município e a própria empresa poderiam responder por demais vítimas que viessem a óbitos. Tendo em vista o entendimento dos fatos apresentados e comoção por parte da concessionária VLI ao tomar conhecimento de diversas imagens do acervo dos acidentes e dos atos de manifestações dos moradores, dessa forma a partir desse contexto que finalmente a concessionária doou então o referido trecho da malha ferroviária para o município realizar a construção da ciclovia. Finalmente, o sonho da esperada obra aconteceu por conta de vários protagonistas que fizeram/fazem parte de todo esse processo, bem como as vidas de moradores que foram ceifadas na rodovia. De modo ainda destaca-se a gestão atual do prefeito José Willian que não mediu esforços para correr atrás de emendas parlamentares para que a obra seja construída, isto é, uma grande parte do projeto com 2km – porém a totalidade do projeto da obra se for construído na íntegra, chega a uma extensão triplicada.

Por Nelzimar Lacerda

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